Body Modification é um livro editado por Mike Featherstone (cuja leitura pode ser feita online, clicando no link do título). Featherstone é Prof. de Sociologia e Comunicação na Nottingham Trent University, também é Diretor do Theory, Culture & Society Centre.
Lendo este livro entendo melhor as relações da artista francesa Orlan com o tema título deste livro. Orlan diz que realiza o trabalho atual sem se preocupar com a idéia de 'identidade'. Os trabalhos que a artista expõe, desde o final da década de 90, estão ligados à associação da imagem da própria artista, trabalhadas digitalmente, com o ideal de beleza de etnias pré-colombianas, especificamente.
Refiguration/Self-Hybridation é o nome da coleção de imagens, realizadas em parceria com o canadense Pierre Zovilé, "cirurgião" virtual, que trabalha com ferramentas de Photoshop, no lugar de bisturis.
Enquanto isso, nosso projeto de documentário passa por modificações. O que temos de imutável, por ora, são as datas de filmagem: 18/10 e 1º/11/2007 (quinta-feira, das 14h~19h), mais finais-de-semana, os quais não sei precisar.
Orlan aparece no blog por integrar estudos e artigos publicados no livro Body Modification - base da minha pesquisa - e por alguns insights magníficos que tive por conta das leituras. Artista-agitadora! Sem demérito, Orlan agita boa parte das sinapses corriqueiras destinadas ao belo e ao ocidental - prefiro dizer agitadora a dizer perturbadora, honestamente, Paris Hilton me perturba, ao passo que Orlan me desafia a pensar, dentro dos paradigmas pós-modernos, no corpo-sujeito, no corpo-pensante, sem grandes fragmentações (eu e meu corpo), tipicamente Iluministas, Modernas e obsoletas. Ah, e ainda há o corpo-obsoleto... deixa isso quieto agora.
Nosso documentário tem no cerne de preparação e pesquisa eventos humanos e ancestrais de modificação corporal, embora sejam apenas preâmbulos necessários ao entendimento do tema. Alongamento (deformação, odeio esse adjetivo, usado por alguns antropólogos, sociólogos e arqueólogos!!!) do crânio, entre civilizações pré-colombianas e entre os egípcios; perfurações e aplicações de ornamentos, cuja etnografia é incatalogável, é inútil, pois em todo o lugar do mundo se faz isso (ainda bem que nasci menino e posso decidir, adulto, se furo ou não minha orelha - culpem os navegantes portugueses, meninas, que possivelmente aprenderam tal rito nas Índias!)... e, mais, tatuagens, remoção de pêlos...
Nosso documentário será, em clara e explícita alusão aos Anos Loucos (Anos 20), uma Sinfonia Epitelial. O resto é segredo, quem viver verá, beijo me liga.
Li, na entrevista feita por Robert Ayers (no mesmo livro, Body Modification), Orlan citando o estrabismo como característica de beleza entre algumas civilizações pré-colombianas. Eles colocavam uma bola de cera ou barro entre os olhos dos bebês, no intuito de lhes garantir uma grande beleza. Isso tudo está ligado ao status social - seja em que época ou ocasião for, ainda exercemos tal fetiche, em nova configuração, mas em nome da vaidade. Segundo Orlan, as práticas ancestrais estavam mais ao alcance da população e isso difere dos nossos dias. Muito pela especificação dos afazeres e profissões, muito pela regulamentação da conduta e do espaço (humano X animal: o Moderno ainda está entre nós)!
Já leram temas sobre personalidade depressiva e borderline? Pois é, desviando da narrativa defensiva e fantástica do mundo da modificação corporal, há o aspecto patológico de algumas práticas - especialmente na adolescência - aspecto, esse, ligado à depressão e à personalidade borderline, por assim dizer. São atitudes de auto-flagelação, mutilação e, disfarçadamente, rompantes suicidas. Adolescentes que se cortam, puxam os próprios cabelos, estrangulam partes do corpo (dedos, braços e pernas), se asfixiam, por motivos de fracasso e aborrecimento. O documentário A invenção da infância (2000), de Liliana Sulzbach, fala da pressão e sobrecarga de afazeres na vida diária das crianças e, sem o compromisso de abordar tais patologias e suas conseqüências, expõe um pouco a infelicidade de ser/estar criança. Liliana Sulzbach não se detem aos traumas e auto-punições. Por que falei nisso? Porque estou estudando documentário, porque gosto de documentário e porque, enquanto pesquisava scarification na internet, li um artigo que falava sobre isso.
A equipe do documentário Meu corpo, meu laboratório - Sinfonia epitelial não pretende sequer pincelar histórias de suicidas ou entes auto-destrutivos! Estamos fora, porque achamos que se temos um laboratório, temos responsabilidades operacionais e regras de segurança e não queremos descuidar de nossos deveres para com o nosso laboratório.
Lendo este livro entendo melhor as relações da artista francesa Orlan com o tema título deste livro. Orlan diz que realiza o trabalho atual sem se preocupar com a idéia de 'identidade'. Os trabalhos que a artista expõe, desde o final da década de 90, estão ligados à associação da imagem da própria artista, trabalhadas digitalmente, com o ideal de beleza de etnias pré-colombianas, especificamente.
Refiguration/Self-Hybridation é o nome da coleção de imagens, realizadas em parceria com o canadense Pierre Zovilé, "cirurgião" virtual, que trabalha com ferramentas de Photoshop, no lugar de bisturis.
Enquanto isso, nosso projeto de documentário passa por modificações. O que temos de imutável, por ora, são as datas de filmagem: 18/10 e 1º/11/2007 (quinta-feira, das 14h~19h), mais finais-de-semana, os quais não sei precisar.
Orlan aparece no blog por integrar estudos e artigos publicados no livro Body Modification - base da minha pesquisa - e por alguns insights magníficos que tive por conta das leituras. Artista-agitadora! Sem demérito, Orlan agita boa parte das sinapses corriqueiras destinadas ao belo e ao ocidental - prefiro dizer agitadora a dizer perturbadora, honestamente, Paris Hilton me perturba, ao passo que Orlan me desafia a pensar, dentro dos paradigmas pós-modernos, no corpo-sujeito, no corpo-pensante, sem grandes fragmentações (eu e meu corpo), tipicamente Iluministas, Modernas e obsoletas. Ah, e ainda há o corpo-obsoleto... deixa isso quieto agora.
Nosso documentário tem no cerne de preparação e pesquisa eventos humanos e ancestrais de modificação corporal, embora sejam apenas preâmbulos necessários ao entendimento do tema. Alongamento (deformação, odeio esse adjetivo, usado por alguns antropólogos, sociólogos e arqueólogos!!!) do crânio, entre civilizações pré-colombianas e entre os egípcios; perfurações e aplicações de ornamentos, cuja etnografia é incatalogável, é inútil, pois em todo o lugar do mundo se faz isso (ainda bem que nasci menino e posso decidir, adulto, se furo ou não minha orelha - culpem os navegantes portugueses, meninas, que possivelmente aprenderam tal rito nas Índias!)... e, mais, tatuagens, remoção de pêlos...
Nosso documentário será, em clara e explícita alusão aos Anos Loucos (Anos 20), uma Sinfonia Epitelial. O resto é segredo, quem viver verá, beijo me liga.
Li, na entrevista feita por Robert Ayers (no mesmo livro, Body Modification), Orlan citando o estrabismo como característica de beleza entre algumas civilizações pré-colombianas. Eles colocavam uma bola de cera ou barro entre os olhos dos bebês, no intuito de lhes garantir uma grande beleza. Isso tudo está ligado ao status social - seja em que época ou ocasião for, ainda exercemos tal fetiche, em nova configuração, mas em nome da vaidade. Segundo Orlan, as práticas ancestrais estavam mais ao alcance da população e isso difere dos nossos dias. Muito pela especificação dos afazeres e profissões, muito pela regulamentação da conduta e do espaço (humano X animal: o Moderno ainda está entre nós)!
Já leram temas sobre personalidade depressiva e borderline? Pois é, desviando da narrativa defensiva e fantástica do mundo da modificação corporal, há o aspecto patológico de algumas práticas - especialmente na adolescência - aspecto, esse, ligado à depressão e à personalidade borderline, por assim dizer. São atitudes de auto-flagelação, mutilação e, disfarçadamente, rompantes suicidas. Adolescentes que se cortam, puxam os próprios cabelos, estrangulam partes do corpo (dedos, braços e pernas), se asfixiam, por motivos de fracasso e aborrecimento. O documentário A invenção da infância (2000), de Liliana Sulzbach, fala da pressão e sobrecarga de afazeres na vida diária das crianças e, sem o compromisso de abordar tais patologias e suas conseqüências, expõe um pouco a infelicidade de ser/estar criança. Liliana Sulzbach não se detem aos traumas e auto-punições. Por que falei nisso? Porque estou estudando documentário, porque gosto de documentário e porque, enquanto pesquisava scarification na internet, li um artigo que falava sobre isso.
A equipe do documentário Meu corpo, meu laboratório - Sinfonia epitelial não pretende sequer pincelar histórias de suicidas ou entes auto-destrutivos! Estamos fora, porque achamos que se temos um laboratório, temos responsabilidades operacionais e regras de segurança e não queremos descuidar de nossos deveres para com o nosso laboratório.
eu é nós... nós sou eu

Ola, faço mestrado na Unicamp abordando o tema da Body Modification. Acredito que vcs deveriam visitar os sites www.frrrkcon.com e www.frrrkguys.com Acabou de acontecer a primeira convenção de Body Modification aqui em São Paulo. Caso vcs precisem de imagens para o doc, entrem em contato. Abraços
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